28 de Junho de 2009

perlimpimpim, na Praia da Vagueira














perlimpimpim, inauguração




Agora a Rua Principal da Praia da Vagueira tem perlimpimpim.
Pintura, artesanato, pequena sala de leitura, sala do conto, bar e espaço para brincar... e muito mais que vai acontecer.
napimpim@gmail.com/ 234795184
A entrada faz-se pela parte detrás a fim de reforçar a segurança das crianças qu ali podem ter muitos momentos de recreio e aprendizagem enquanto os adultos leem, bebem um chá uma cerveja... ou petiscam algo mais ou simplesmente descansam ou põe a conversa em dia com os amigos.
É algo único por estas bandas, bonito, da iniciativa privada ( sobrinha tia e o filho desta) resultado do esforço de pessoas que se interessam pela arte e pela cultura e que merece ser acarinhado por todos e usufruído também.

Parabéns aos três!
A Vagueira merece...
Até 7/Julho decorre uma exposição colectiva com quadros de Artur Dionísio, Carlos Souto, Fernanda Santos., Gina Marrinhas, João Almeida, Jorge Barroca, Mário Morais, Teresa Lameiro, Valença Cabral, Zulmira Costa

O poeta José do Carmo Francisco ( a propósito dos gatos)

O gato de Fernanda – nove fragmentos

Atento, discreto, pacato. No perímetro da luz, olha a dona. O gato.
No lume aceso com a lenha do barracão antigo, as sombras são afastadas até ao sótão da infância. Aos gatos, sua paisagem, seu povoamento. Que força empurra o gato frente ao sol no castanho-luz do telhado?
Teu gato a quem a chuva proíbe telhados e terraços. Veio do Egipto num navio de Veneza. No Cacém, sorri à dona portuguesa.
Terra trazida. Pequenas partículas de chuva nos limões e nas maçãs, invisíveis memórias de uma terra trazida. Minha terra, perto do teu gato.
Vejo intervalos de sol nos telhados do bairro, humidade permanente a respirar nas telhas como se o prédio fosse um corpo cansado, humano. O gato espreita.
Roubar alguns cabelos teus para fazer cordas de uma guitarra. Suave melodia, frente ao gato.
Há no teu olhar telhados infinitos, memória de paquetes brancos no rio e de sardinheiras vermelhas na varanda ao lado. Luz e calor. Gatos e sorrisos.
Há na tua voz um som que incorpora os sinos de Lisboa. De São Roque à Sé, da Conceição Velha à Madre de Deus. Toda a geografia de um afecto assim reproduzido, junto ao gato na janela.

José do Carmo Francisco

Agradeço ao Poeta a autorização para publicar o que me enviara a propósito do Post dos gatos de Essauoira.

24 de Junho de 2009

Os Gatos de Essauoira
















Gostaria de viver no Paraíso no Éden, chame-se o que se chamar... Mas quem não gostaria?!





No meu Paraíso haveria muitas flores fontes lagos e necessariamente muitos animais, não haveria Paraíso sem eles...





Estes não vivem no Paraíso nem são belos exemplares da espécie, mas não se deixam seduzir por turistas nem lhes cedem o seu lugar. São gatos de Essauoira, conhecem a voz do vento.





22 de Junho de 2009

Essaouira











Esta cidade branca é só para alguns. os escolhidos do vento.
No dia em que a visitei tive sorte porque tinha pouco vento, mas senti-me aprisionada pelo tempo contado das visitas turísticas. Foi como se só tivesse ido espreitar e tivesse de voltar de novo para estar.
No horizonte o mar é verde esmeralda, quase se pode tocar nas gaivotas e a Medida foi invadida pela especulação milionária...
Surf, peixe fresco, pintura e estar, eis o que faria em Essaouira.
Sim é a nossa velha Mogador e tem lá o forte, mas isso nada me disse.

18 de Junho de 2009

Marraquexe de Miguel Sousa Tavares


É conhecida a paixão de Miguel Sousa Tavares pelo mundo árabe, sobretudo Marrocos.

Por coincidência um amigo encontrou hoje no jornal I o seu roteiro:



É claro que eu só vi o Hotel ( actualmente em obras) do lado de fora e nunca terei a possibilidade de o conhecer por dentro. Mas o que vi indica que o Miguel Sousa Tavares terá razão. Aliás já o vi escrito em muitos lugares. Um dos cinco melhores do Mundo ou o Melhor do Mundo.

E o Palácio Baía é de facto fantástico, fez-me lembrar Allambra... Mas a magia está em todos os lugares, para quem está disposto a entregar-se-lhe.

16 de Junho de 2009

Marraquexe, a cidade rosa































Foram pedidas mais fotos e texto. Mas o objectivo não é saciar e apenas fazer nascer o desejo de visitar. Por outro lado aquilo que vivi mais intensamente não trouxe nas fotos: o perfume, os sorrisos, a simpatia, a frescura dos jardins, o clima, a tranquiliodade... a sensação de que pertenço aquele lugar...







Marraquexe era há alguns anos um destino adiado...
Tanta era a magia prometida que temia desiludir-me.
A terra rosa, as suas casas palácios muralha mesquitas rosa da sua terra, sempre sempre o verde do islão: palmeiras oliveiras laranjeiras e rosas... Fora da Medina Marrquexe é um jardim!
Com lágrimas nos olhos a deixei, sabendo que vou voltar, vou voltar sempre... - "o meu Amor é Árabe"

3 de Junho de 2009

Morre-se em Alpedrinha

Do blog do Poeta Antropólogo e Amigo Luís Filipe Maçarico, www.aguasdosul.blogspot.com:
"
Alpedrinha é uma vila que me cativa. Pela sua localização monumental, com a Gardunha, as suas águas, os seus castanheiros e cerejais. Pela sua população tradiconalmente hospitaleira.
Nos últimos tempos, as notícias que chegaram da terra mágica foram amargas.
Três moços que vi crescer, o mais velho deles com 28 anos, puseram termo à vida.
A interioridade e a falta de perspectivas para a Juventude, o vazio que se vai apoderando de todos nós, vão causando danos profundos, desmentindo estatísticas e discursatas.
A realidade violenta destes suicídios, entristecendo o quotidiano pacato de familiares e amigos, não sucedeu no Alentejo deprimido, mas numa Beira Baixa, de onde são naturais Guterres e Sócrates, confrange a ausência de medidas revigoradoras da economia e da solidariedade social. Há um pesado silêncio sobre os problemas.
Toda a nossa província abandonada, de Norte a Sul, com rapazes e raparigas sem emprego, que têm de fugir para tentar melhor sorte, é uma lástima. A alternativa à litoralização (e à liberalização que presenteia bancos falidos com milhões de euros) é ver passar o tempo, consumindo cerveja e televisão. Esta lenta agonia que alguns não aguentam mais".

Sinto os sinos de Alpedrinha nos meus ouvidos, o eco dos gritos de dor na Gardunha, não me apetece a água na fonte do Leão, nem me banharei mais no tanque dos Poetas... A Sintra da Beira não é Sintra se as suas gentes estão a morrer assim.
Encaro hoje a morte como coisa tão natural como a vida, mas o suícidio atinge-me como uma espada delicerante de culpa... Desde os quatro anos que vejo o suícidio tocar-me de perto, familiares, colegas, conhecidos.... A desertificação deixou de ser coutada do alentejo, alastrou-se com as opções políticas dos últimos anos.
Não me revejo na vingança, mas alguém tem que ser responsabilizado pela morte destes jovens... pelo menos politicamente.
E, ao contrário da ideia feita de que não podemos fazer nada, penso que podemos fazer bastante... Podemos começar por votar no domingo, em vez de ficarmos em casa comodamente como se a responsabilidade das escolhas políticas não fosse nossa...
E votando devemos ajuizar bem em que mundo queremos que vivam os nossos filhos, pois como mãe esventrada me vejo nestas mortes de Alpedrinha...
Que cada um ajuize no fundo de si qual o voto certo e o futuro do nosso país pode mudar. Os votos somam-se um a um...
O meu coração bate e os meus olhos choram por Alpedrinha, lugar de afectos.
Mas mesmo que Alpedrinha não vos diga nada, o suicídio de três jovens tem que dizer!
VEMOS OUVIMOS LEMOS
NÃO PODEMOS IGNORAR
é de Sophia esta frase conhecida, mas Sophia não desperdiçava palavras, usava as palavras certas, eram a sua arma...
Cada um de nós tem armas ocultas, não menosprezemos o nosso poder de intervenção no nosso bairro na nossa cidade no nosso país no planeta...
Que o mundo virtual, que tanto nos pode dar, não nos torne em apáticos répteis submissos!

PORTO SENTIDO - 2

Seja dos saltos altos do nariz empinado da cabeça na lua do destino da inexplicável atracção pela mãe-terra.... o que é certo é que em média, entre escadas do tribunal os degraus dos passeios os buracos na calçada, devo cair uma vez de quinze em quinze dias.
Vale-me a sorte de nunca ter caído com sérias consequências, sendo normalmente os joelhos que sofrem. Esta semana cumpri a estatística logo na segunda-feira de manhã, em plena Rua de Santa Catarina no Porto, espalhando à minha volta daqueles envelopes grandes de exames médicos que nesse dia precisava levar comigo. Enquanto caía e pensava que me doía o joelho e decidia levantar-se terá decorrido um segundo, mas há segundos de dão para pensar em muitas coisas. Enquanto eu pensava, "caramba ninguém me ajuda a apanhar os papéis, a levantar etc" eis que vem de longe surge uma velha senhora de braços abertos, empunhando a mala de mão, bradando " tanto cavalheiro e ninguém ajuda a senhora".
Com uma dúzia de anos a menos, eu no meu silêncio do sul pensara de modo mais generalista - homens mulheres jovens... - vendo em todos a mesma falta de humanismo.
Com a ajuda da senhora, que continuava a manifestar o seu desagrado pelo comportamento masculino actual, eu preferia pensar que se eu não estivesse de calças de ganga mas com uma roupinha mais vistosa "algum cavalheiro" teria reparado em mim e me prestado a sua sedutora ajuda. Pois que há lugares e dias em que eles existem, mas a sua actuação carece de condições adequadas para a performance...
Dirão os homens: as mulheres não sabem o que querem! se somos cavalheiros já nos estamos a meter, se usamos da igualdade de sexos somos toscos uma espécie a a bater, se nem sim nem nim somos desinteressantes, se aparece um totó de BMW e salamaleques todas se derretem... Há homens que têm o maior orgulho a sua maior vaidade no seu carro ( como daí depende a auto-estima!) mas não não entendem como é as mulheres na avaliação do outro incluam coisas materiais e ilusórias como o carro que tem... Sim, algumas de nós gostamos de carros! olhamos duas vezes para um descapotável vermelho ( se for a minha marca preferida até olho mais!) - e vezes há que nem vemos quem está ao volante - e sim um desconhecido num Renault a cair ou num Mercedes desportivo último modelo não é, aos nossos olhos, o mesmo homem!... E daí, seremos impuras por isso? são privilégios, características do homem?

A questão da igualdade dos sexos e do que o homem espera ser o comportamento duma mulher e a mulher dum homem ainda está bastante confuso no nosso pensamento.
Se o pensamento é veloz também está marcado por vivências precoces e imbuído de aprendizagens centenárias, cuja alteração carecerá da passagem de várias gerações... Mas veja-se que o meu pensamento já não foi igual ao da senhora que como boa portuense ( uma mistura do conservadorismo e educação inglesa com a força granítica, rude e directa, da mulher do norte) falou alto e sem medo, pugnando pelo comportamento do homem ideal nos valores da sua geração.
Eu mais calada ( eivada do igualitarismo dos sexos ) fiquei-me, pela falta da humanidade de todos...
A geração depois da minha, provavelmente, pensaria que não era caso para intervenção de outrem, seguindo o caminho que é seu, só se detendo dele em caso de alerta vermelho!
A cada geração um pensamento diferente, que para a mesma é o que faz mais sentido...
Ignorantes aqueles que julgam que só o pensar da sua geração é que está certo, que os mais velhos estão ultrapassados e os jovens ainda não sabem o que querem... De certo que muita da realidade lhes está a passar ao lado... Nesta forma de pensar radicam muitos dos conflitos e incompreensões entre pais e filhos, entre professores e alunos...

24 de Maio de 2009

PORTO SENTIDO





Enamoramento na Rua da Boavista...

13 de Maio de 2009

Patxi Andión em Portugal

Figueira da Foz - Hoje dia 13, no CAE
Lisboa - amanhã, Cinema S. Jorge
Porto - Casa da Música, dia 15
Guarda, Teatro Municipal dia 16

Nascido em 1947, impedido de actuar em Portugal por duas vezes pela PIDE, mesmo assim cantou em 24 de Março de 1974 ( um mês antes do 25 de Abril).
Vi-o ao vivo quase dez anos depois no Coliseu de Lisboa.
Patxi Andión voltará a cantar as suas preocupações sociais "num mundo em que cada vez há menos pessoas a tê-las".
"Canto a la madre que me parió", "Canela Pura"... para ouvir outra vez.

7 de Maio de 2009

a 8 de Maio


Não sou de celebrar muitas datas, nem guardo muitas na memória.

Mas faz dez anos que publiquei o meu primeiro livro "Alentejo Sem Fim" e o apresentei em público em Lavre.

Foi um dos dias mais bonitos da minha vida, que a memória mo guarde!

Fui feliz nesse dia, pela surpresa dos amigos de fora pela simpatia dos conhecidos... senti-me filha de Lavre nesse dia. Não fora à toa que no dois dos poemas eram sobre Lavre... Mais ainda senti-me Alentejana, com uma força e uma alegria ainda maior, não lhe chamo vaidade.
Obrigada a quem lá esteve comigo, nunca o esquecerei.

Sabugueiro - no concelho de Arraiolos




Sei de há muito que sou Alentejana filha neta bisneta trisneta etc......... de alentejanos, todos eles oriundos do conclho de Montemor-o-Novo quando este se estendia por terras hoje de Mora e de Arraiolos. Tive a oportunidade de visitar ainda alguns lugares onde residiam parentes idosos quando era criança na companhia da minha avó materna, pessoa que gostava de cultivar esses laços e um dos lugares que melhor conheci foi S. Geraldo de onde era natural a minha bisavó materna. Devo ter aprendido com a minha avó esse gosto por caminhar para o passado, em busca das minhas raízes... Procurei-as nas Brotas e procuro, os Alves Salgado.
E há poucos dias revisitei o Sabugueiro em busca dos Lascas, mas apenas obtive uma pedra tumular assinalando o nascimento e óbito de uma pessoa do sexo masculino com tal apelido.
No entanto, dali era natural o meu bisavô Lourenço, pai da dita avó, a quem chamavam "da venda" porque por lá tivera uma, mas cujo apelido era "dos Santos", apelido muito comum.
Lembrei-me uma vez mais do meu querido bisavô que me ensinou a jogar à bisca e ao burro, e que me deixava ganhar, e de como eu e ele eramos companheiros nas nossas aventuras. O meu bisavô foi o homem mais bondoso e carinhoso que conheci, dedicado a todos da família, vaidoso no seu aspecto, amante da música e da dança - não tinha inimigos, um homem à frente da sua época creio...
Lembrei-me do aroma do sabugueiro ( com o nome da sua terra) que plantou em frente da casa, na freguesia de Lavre, neste momento florido...

20 de Abril de 2009

IV Semana Cultural de Vagos


IV Semana Cultural de Vagos
(25 de Abril a 03 de Maio de 2009)
Programa no site da Câmara Municipal
em que destacamos Sérgio Godinho no dia 25 de Abril

17 de Abril de 2009

Ascensor do Lavra


Lavre, minha freguesia natal, é hoje uma pequeníssima vila alentejana, tendo gozado da qualidade de cidade em data anterior ao terramoto de 1755 como o nome de Lavar.
Há dias encontrei na navegação pela Internete deste curioso texto sobre uma Calçada de Lisboa que passo a citar:" Porque se chama Calçada do Lavra e Ascensor do Lavra?
(2007-05-01; Fonte: Jornal da Região nº78; Autor: Appio Sottomayor)
O centenário Elevador do Lavra é o mais antigo transporte do género na capital, sendo classificado como monumento nacional Sejamos justos: sem o elevador, a Calçada do Lavra nada seria e a maior parte dos lisboetas passaria por ela sem lhe ligar grande importância, já que, na base, só de olhar para a sua inclinação, fica um transeunte logo cansado... Sem aquele carrinho amarelo que, paciente, sobe e desce, unindo os baixos do Largo da Anunciada aos altos do Torel e vizinhanças do Campo de Sant Ana, a calçada seria talvez uma espécie de campo de treino para alpinistas ou pista de "escorrega" para garotos dispostos a bater com a cabeça nas lajes do sopé. Basta verificar como, nos períodos em que o elevador pára, para reparação ou por motivos externos, andam todos os seus frequentadores esmorecidos, sem saberem bem que voltas dar para chegar ao cimo da colina.Mas vamos por partes: porquê Lavra? Ao contrário do que possa pensar-se, nada tem o nome a ver com qualquer prática agrícola. Tudo vem do nome de um abastado proprietário que ali teve alguns dos seus bens. Chamava-se Manuel Lopes do Lavre (ou Lavra) e viveu no século XVII. Foi em dada altura tesoureiro da princesa D. Maria Francisca Isabel de Sabóia (a princesa que veio para Portugal para casar com D. Afonso VI e acabou por ser de facto mulher deste e depois também do seu cunhado D. Pedro II). A vida da senhora em questão não foi exactamente um lago remansoso, pelo que o tesoureiro teve de, várias vezes, adiantar verbas de seu bolso para acudir às aflições.Segundo mestre Júlio de Castilho, esta família Lavre granjeara grossos capitais no negócio de carnes. Como no actual Campo dos Mártires da Pátria existiram o Campo do Curral e o matadouro de Lisboa, poderá, sem grande ousadia, imaginar-se que a família conheceria bem as terras em roda, tendo comprado a zona onde hoje se insere a Calçada.Já agora - e como as conversas sobre Lisboa se assemelham a cerejas, que vêm umas pegadas às outras - diga-se que outro Lavre, descendente do Manuel de que falámos, foi fidalgo da casa real. Chamava-se André Lopes do Lavre e exerceu numerosos cargos; foi nomeadamente comendador, secretário do Conselho Ultramarino, alcaide-mor, etc. Uma filha sua, D. Maria Antónia, veio a casar com um vizinho: o morgado de Oliveira, antepassado dos marqueses de Rio Maior. Ora a casa de Rio Maior possuía um palácio na actual Rua de S. José, à beirinha da calçada. E nesse palácio veio a nascer, em 17 de Novembro de 1790, aquele que viria a ser o Duque de Saldanha e teria importante papel na História portuguesa.E poderá completar-se este parêntese relacionado com os Lavre para anotar que nesse velho palácio dos Rio Maior se instalou mais tarde a Escola Nacional, um estabelecimento de ensino privado que teve fama nas primeiras décadas do século XX. Os Correios foram também para as imediações do Lavra, em 1912.Mas antes do Lavre, ou Lavra, a calçada obviamente já existia. A gente do lugar chamava-lhe de Damião de Aguiar. A história é, mais ou menos, a mesma. Este Damião de Aguiar Ribeiro era um importante cidadão lisboeta do século XVI. Chegou a ser conselheiro de el-rei, desembargador do Paço e vereador de Lisboa. Mas, durante a crise dinástica de 1580, após a morte do cardeal D. Henrique e desaparecido que fora D. Sebastião no Norte de África, Damião tomou o partido dos Filipes. Esteve inclusivamente presente na entrega das chaves de Lisboa ao duque de Alba, que as recebeu em nome de Filipe I. Da casa e das terras poucas notícias houve, até que foram parar às mãos da família Lavre.
O monumento (e não se emprega a palavra ao acaso, dado que se trata de um monumento nacional, como tal classificado) da calçada é, como se disse, o elevador. Trata-se do mais antigo transporte do género em Lisboa, quer se fale dos existentes (Bica, Glória e Santa Justa) quer dos já desaparecidos (Biblioteca, Chiado, Estrela, Graça e S. Sebastião). Na verdade, foi, como os seus irmãos, obra do engenheiro Raul Mesnier du Ponsard, português de origem francesa. A inauguração teve lugar em 19 de Abril de 1884 e pode dizer-se que logo começou com largo trabalho: rezam as crónicas que só nesse dia trabalhou 16 horas e transportou mais de três mil passageiros. A novidade podia muito. Funcionava então pelo sistema de cremalheira e por contrapeso de água, isto é: o carro que começava a descida enchia um reservatório de água, colocado no tejadilho. Dado esse peso suplementar e a força da gravidade, o carro descia e fazia subir o outro. Mais tarde, o sistema foi substituído pelo vapor. Em 1915, procedeu-se à electrificação.

Muita gente continua a utilizar o centenário elevador, meio mais prático e directo de subir a colina de Sant Ana. Sem que quase ninguém se lembre da família Lavra que deu nome a tudo aquilo... "


4 de Abril de 2009

Retalhos de um ex-combatente [VISUALIZA��O DO BLOGGER]

Norteou a sua vida 40 meses?! Não, ainda marca, marcará para sempre! Está agarrado a sua pele, bate com o seu coração. Há coisas assim, boas ou más, que nunca mais nos largam... Mas também quem desejará viver uma vida sem doce sem sal sem lágrimas sem cante?!... marialascas

Ressurreição


Lembro-me de ouvir há muitos anos a gente do povo dizer que o Mundo ia acabar no fim do século. E alguns grupos religiosos de certo modo também apregoavam e apregoam para breve o Fim do Mundo e a urgência da redenção.

Só quando crescemos percebemos que a vida termina a cada instante, que se nasce que se morre, e que a nossa morte pode acontecer sem a esperarmos... E a morte do Mundo, melhor do Planeta Terra, era algo inconcebível. Hoje acredito que até a Terra terá o seu fim hoje, embora num longínquo futuro, mas tenho como certo que o fim do Homem está muito mais próximo... E não por crença religiosa, mas pelo que os factos nos mostram: poluição da terra da água do ar, diminuição dos recursos, aquecimento global...

MUITOS DE NÓS continuamos a agir como se a vida fosse eterna, a nossa e a dos outros. Mas não, este é o último dia do resto da tua vida ( como se diz na canção) e depois deste pode não haver mais nenhum.

Esta frase simples, despida do lustre filosófico religioso ou científico, afirma uma verdade que por ser tão evidente temos dificuldade em valorizá-la.

Mas dela podemos tirar decisões que podem revolucionar o nosso ser e a nossa postura no Mundo.

Celebrar a Páscoa é algo anterior ao Cristianismo.

E não é só no fim do ano que devemos fazer um balanço da nossa vida, com sonhos e promessas de mudança para o novo ano. Na Páscoa temos feriados, dias de descanso em que podemos repensar esquecer um pouco o stress, parar, respirar fundo e olhar para dentro de nós...


Encontrar força para renascer e celebrar a ressurreição(!) do que tínhamos deixado morrer em nós ( um sonho um projecto um agradecimento que não fizemos um abraço que faltou um beijo...) .

Vivemos efectivamente um período difícil ( guerra e fome em metade do Mundo, desemprego por todo o lado, sequestros violações corrupção, a descrédito generalizado nos políticos na justiça na verdade jornalística no sistema de saúde na qualidade do ensino...). Se olharmos para a História ela ensina-nos que alguns dos nossos antepassados sobreviveram a situações ainda mais dramáticas!

Há sempre algo que nós podemos fazer, em cada dia, para nos sentirmos melhor e para que algo ou alguém no Mundo fique melhor. Não é conversa da treta, nem moralismo, nem pirosisse... Experimentem!

17 de Março de 2009

21 de Março - Viva a Poesia

Dia 21 de Março, vamos viver a poesia com o anunciar da Primavera!

Aqui se divulga o programa do Grupo Poético de Aveiro:
"
O objectivo destas actividades consiste em intervir com a palavra dita em vários espaços, procurando chegar a um maior número possível de pessoas.
Aveiro - Inauguração da Livraria Buchholz - Praça Marquês de Pombal -
16h00 Ílhavo - Colaboração com a Confraria Camoniana -
15h30m - Biblioteca Municipal de Ílhavo Comboio Urbano - Aveiro/Estarreja- Estarreja/Aveiro Partida de Aveiro às 15h19 Partida de Estarreja às 15h58
Biblioteca Municipal de Aveiro -17h00 Aveiro - Café Cafeína - 18h00
Todos podem participar. Venha ler o seu poema preferido com o Grupo Poético de Aveiro. "

7 de Março de 2009

2ª secção do Tribunal de Trabalho do Porto - destruída na madrugada de 6 de Março




Morrem-nos pessoas que gostamos que admiramos que nos fazem falta, morrem-nos animais tão fiéis como a nossa sombra, morrem-nos árvores, amoreiras encantadas sobreiros e pinheiros queimados, morrem-nos flores nos campos que depois renascem na Primavera, morre o último ramo de rosas... e os rios e os peixes.


Agora sei que nos pode morrer também o lugar onde trabalhávamos, assim de repente numa madrugada... e como isso dói, mesmo que não tenhamos perdido nem o vencimento nem o emprego.


Para alguns, trata-se de dor que não é dor, uma dor poética.


Mas também o amor" é fogo que arde sem se ver"...


Eu sinto-me com uma parte a menos e demonstrar a tristeza sentida não me envergonha.

1 de Março de 2009

A Banda de Vagos Jamunas Band actuou no IPJ de Aveiro






A Banda de Jovens Vaguenses Jamunas Band actuou no concerto no IPJ de Aveiro, music 4 children um projecto do 12º da Escola Mário Sacramento de Aveiro, tendo como objectivo contribuir para a diminuição da mortalidade infantil na Guiné.


A actuação foi largamente aplaudida pelo público que enchia completamente o auditório do IPJ.








10 de Fevereiro de 2009

Finalmente o direito à morte - Eluana

Flores para Eluana
Neste blog antes desta questão ser notícia já constava, na margem direita, um pequeno texto em defesa da despenalização da eutanásia.

Se calhar neste momento histórico de grande crise económica a nível colectivo haverá muitos assuntos urgentes na agenda legislativa que abrangeram um grande número de cidadãos e, por isso, poder-se-á defender que este assunto não é politicamente oportuno... Anteriormente já a situação não era boa e houve oportunidade para alterar a Lei do Aborto e actualmente não foi arredada a questão do casamento homossexual... Ou seja, importa tomar medidas sim que nos façam suportar a crise económica e social, mas nunca se poderá esquecer que o colectivo resulta da soma dos indivíduos, pelo que as questões da dor humana do direito à vida e à morte nunca poderão ser adiadas com tal fundamento.

Finalmente Eluana ganhou dignidade humana, com a sua morte!

Ninguém tem o direito de me impor a obrigação de sofrer para alcançar uma forma de eternidade na qual não acredito...

Os Dias do Amor, antologia de poesia de Inês Ramos

365 poemas de amor, um para cada dia do ano.
Poetas portugueses, árabes, italianos, brasileiros... e alguns poetas novos.
Uma ideia da Editora Mistério dos Livros.
Ainda há quem acredite na poesia...

19 de Janeiro de 2009

Ala dos Namorados

A Ala dos Namorados chegou ao fim.
Assisti ao penúltimo concerto em Ilhavo em 2008 e acreditei que a Ala sobrevivera à saída de João Gil. O concerto foi muito bonito.
Anunciam-se vários projectos individuais, a que certamente estarei atenta. Mas a mística da Ala terminou, restam-se os Cd's ( felizmente todos). Tudo termina um dia, para que a evolução seja possível...
Obrigada "Ala" pelos bons momentos musicais.
Parabéns Nuno Guerreiro pela voz e pela encantadora presença em palco!

2 de Janeiro de 2009

2009 - pela Paz na Faixa de Gaza

PELO FIM IMEDIATO DA OPERAÇÃO BÉLICA de ISRAEL na FAIXA de GAZA!

Não fique indiferente perante as atrocidades a violência a insegurança constante a violação dos direitos humanos a morte de inocentes... em nenhum lugar do Mundo!

28 de Dezembro de 2008

Jamunas Band em festa de Natal no Sósense

Uma banda que se afirma pela qualidade das suas músicas e letras...
Que 2009 seja o ano da consagração!
video

21 de Dezembro de 2008

O que é o Natal?














Há perguntas a que não sei responder. Já soube, quando a idade não me permitia um conhecimento tão vasto da diversidade de Religiões e de costumes nem dos ensinamentos da História, das lições da Ciência.
Antes de entrar para a escola, em casa o Natal era só o Menino Jesus a descer pela chaminé durante a noite para deixar-me um presente no sapatinho - moedas pretas ou rebuçados, também pretos.
Quando entrei para a escola primária, o Natal começava mais cedo com o presépio - musgo verdadeiro a vaquinha e o burrinho, Maria José e o Menino nas palhinhas, os pastores e a caminho seguindo a estrela os Reis Magos... Nasci pagã, os meus preferidos eram a vaquinha e o burrinho tão quentinhos e bondosos... e lá no céu tão linda e sabedora a Estrela!
Aprendi com o meu pai a desenhar a estrela de cinco "bicos", mas nunca tive presépio em casa.
Depois apareceu a Árvore de Natal, via-se nas janelas, nos jardins. E fui eu própria que fiz a primeira árvore de Natal em casa, com lacinhos de cores e a estrela... mas isso não tornou o Menino Jesus mais generoso. Mas continuei a fazer a Árvore de Natal desde então, uns anos com os presentes outros mais artística, maior ou pequena, com enfeites de cores e luzes, agora mais natural... e com o passar anos resolvi substituir o Menino Jesus, contei aos meus filhos a história do seu nascimento e vesti-me de Pai Natal, de Mãe Natal... gostava de olhar o céu e pensar que por alguns minutos havia paz na Palestina.
Agora não sei bem o que é o Natal, continuo a comprar presentes, a comer as iguarias tradicionais nos pratos mais ricos e na melhor toalha e sempre no Alentejo...
Tenho saudades, não da minha infância, mas da magia do Natal que construía para os meus filhos... e que talvez volte se um dia tiver netos.
Agora o Natal começa em Outubro com o chamariz do comércio.
Não celebro o Natal a pensar no nascimento do Menino Jesus, não faço o presépio... Gosto da história e acredito nela só porque acredito nas histórias e até acredito que parte desta história se confunde com a História.
Acredito nos personagens, mas não acredito em Deus como o descrevem os Livros Sagrados, Antigo Testamento, Novo, Alcorão... e as guerras não param na Noite de Natal, nem o frio a fome a malvadez a ganância a desesperança....
No entanto adoro representações do presépio, e lembro-me das ruas de Alpedrinha, do Giraldo em Évora, do Redondo...
Mas este ano o meu voto vai para a estação de S. Bento no Porto, de onde são as imagens.
Um Bom Natal!

8 de Dezembro de 2008

João dos Santos Pedrogam - Prefácios d'um Poeta


O escritor, jornalista e poeta João dos Santos Pedrogam reuniu em livro os trabalhos que publicou em vários jornais no período de 1978 a 2008 e deu-nos a conhecer o seu livro no passado dia 5 na Junta de Freguesia de Sósa.

Uma noite calorosa, presidida pela Srª Vereadora da Cultura Drª Albina Rocha e dirigida pelo Sr Basílio Oliveira, mestre nestas lides e que também nos brindou com um poeta inédito de sua autoria. A apresentação do livro esteve a cargo pelo Sr. Arquitecto e também Escritor João Carlos Sarabando. Esteve presente o rancho folclórico "O Arrais" do qual o nosso poeta também faz parte, cantou-se o fado... A terminar a noite, petiscos bem portugueses, oferta esmerada da Junta de freguesia de Sósa

João Pedrogam que fizera no dia anterior 75 anos, pediu mais 75 para poder publicar tudo o que lhe vai na alma e prometeu-nos um novo livro em 2009.

Uma noite muito bonita em Sósa, em que a poesia teve o calor dos afectos.


Momento raro no concelho de Vagos e da iniciativa de uma pessoa simples do povo.

Quantos momentos dedicados à poesia terão existido neste ano de 2008 em todo o concelho de Vagos? Ou será que a poesia não faz parte da cultura?

Pois fica aqui - não uma crítica que olhar, para o passado não adianta - uma proposta para a Câmara de Vagos e para as suas freguesias para o ano de 2009:

1. - porque não um Sarau Poesia em cada uma das freguesias, ou um primeiro experimental em Vagos? com poetas locais e outros...

2- ou um jantar poético? em que as pessoas se podiam inscrever e haver quem lesse e declamasse poesia....

28 de Novembro de 2008

Guika Rodrigues, a pintora


A pintora alentejana Guika Rodrigues ( que saudades de Moreanes!) expõe mais uma vez em Lisboa na Biblioteca Municipal Camões agora com uma pintora da Galiza.

Boa Borte Guika.


O Zé Azinheirinha


O comentário que se segue foi publicado no seu devido lugar, mas apeteceu-me colocá-lo também aqui. O nosso mundo de hoje coisas maravilhosas e uma delas é a facilidade de comunicação, nomeadamente através da Internet. Foi através da Internet que reencontrei este meu companheiro da Escola Primária passados quase 40 anos! E é através da Internet que ele na Suíça e eu aqui em Portugal, ambos longe da nossa terra, conseguimos este ponto de encontro e de partilha.

O Zé deixou este comentário na sua mensagem "Foros de Vale de Figueira", que passo a citar:


Os Foros sao o meu porto de amarragem.Tudo à volta sao recordaçoes,como as Courelas do Portaleiro,infancia.O Monte do Casao,onde nasci e vivi 4 anos,e onde voltei aos 16,e la conheci aquela que viria a ser minha esposa.Mas onde mais gostamos de viver,foi no Monte da Serra à meia encosta com vista para o hoje moribundo Pinhal da Poupa e as cegonhas que todos os anos vinham nidificar.As cegonhas fazem-me pensar na vida que levo desde 1985.As viagens entre os Foros e a Suiça(emigraçao).Isto sem deixar de ter um grande carinho pela Vila de Lavre,os amigos e amigas que là tenho,e tambem os bons momentos da mocidade.Aqui deixo o meu abraço para todos(as).José Azinheirinha.
Beijos Zé também para a tua família. Comenta sempre e vai dando notícias da neve dos chocolates dos relógios do queijo suiço... e que mais?

25 de Novembro de 2008

Como deixei?

Como deixei o tempo ser meu Senhor?!
como deixei que arrefecesse meu ventre
as mãos a minha pele
a Terra rodasse, fosse dia fosse noite
Lua e Sol não me encantassem?!

como deixei que o céu azul se abrisse
fosse Primavera! as cegonhas voassem
e eu não olhasse?!
como deixei barcos sem adeus no cais
e quem foi meu de mim partisse?!

que fez o tempo para que me entregasse?!
que me deu em troca do que lhe dei?
que veneno tolheu a minha mente?
que pensamento a profanou?

Que fique com este corpo o tempo!
Alma minha, nas velas dos barcos
nas folhas dos plátanos no remoinho
nas areias do deserto... será do vento

17 de Novembro de 2008

Quando a morte não se faz anunciar



O Sol nasceu, a cidade já acordou, o cheiro a café, o fumo dos cigarros, as buzinas, a voz da rádio... Tudo parece estar no sítio certo, quando de repente te perguntam se também queres contribuir para a coroa de flores. A tua resposta não interessa, sabem que sim. Mas o dia todo ficas a pensar porque motivo não dará sempre a morte um sinal para que nos possamos preparar, dizer uma palavra de despedida.

Aceito a morte, cada vez mais aceito a morte como uma coisa natural, até necessária, sem prolongamentos no Além.

Mas sem o Adeus, até a morte daqueles que não nos são muito próximos dói mais...

15 de Novembro de 2008

Fábrica de Porcelanas da Vista Alegre - a visitar
















8 de Novembro de 2008

Andrea B. vai cantar amanhã, domingo, em Roma

Para os outros fãs aqui fica a notícia.
Se eu fosse rica ou tivesse o tapete um tapete voador ( tenho a lâmpada de Aladino mas desconfio que é falsa) estaria lá.
Passo a citar a notícia:

ROMA, 6 NOV (ANSA) - O cantor italiano Andrea Bocelli agradeceu hoje o convite recebido do governo para cantar no próximo domingo, em Roma, durante um evento em homenagem às Forças Armadas italianas e ao 90º aniversário fim da primeira Guerra Mundial. "Agradeço o presidente da República e o Ministério da Defesa pelo convite, vou me esforçar ao máximo para homenagear as instituições do meu país", declarou. Para espetáculo, Bocelli será acompanhado pelo maestro Marcello Rota, e pelo coro lírico sinfônico de Roma, e apresentará o repertório de seu novo álbum, "Incanto", que é uma homenagem às canções que ficaram famosas nas vozes dos maiores tenores da história. "É o repertório de mitos como (Enrico) Caruso, (Mario) Lanza, (Giuseppe) Di Stefano, que ouço desde os tempos dos discos de 78 giros e que continuei a amar passando aos LP, aos cassetes, aos CDs e aos computadores", revela o cantor italiano. "Conheço estas composições desde sempre, é uma das raras vezes em que não tive que estudar muito para me prepara", relata Bocelli. Famoso também nos EUA, o italiano já cantou para dois presidentes norte-americanos. "Cantei para Bill Clinton e para George W. Bush. Com Clinton, estabeleci uma relação pessoal e ele me convidou mais vezes para cantar para sua fundação", afirmou. Contudo, o cantor evita polêmica sobre a vitória do democrata Barack Obama nas eleições dos EUA. "Não me sinto em condições de julgar os eventos da política de um outro país, porém, eu me impressiono como a eleição do novo presidente tenha despertado em todos a esperança de uma mudança", opina. (ANSA) 06/11/2008 13:29

4 de Novembro de 2008

Levam gaivotas na proa

Hoje, enquanto arrumava papéis antigos, encontrei este pequeno texto ainda da minha adolescência... em vez do cesto do esquecimento, apeteceu-me lembrar tantos dos homens que durante anos nesta região passaram a vida embarcados nos bacalhoeiros.

Levam gaivotas na proa
cortam ondas com mestria
no convés vai vinho, broa
bacalhau a rarear...
Levam nos olhos a esperança
nas mãos toda a força:
Quanta
a força do mar!

Na volta não há descanso
há bacalhau para tratar
Presa a âncora
há saudades a lembrar...
Breve partem p’o degredo
nome que dão ao mar

Já com os ossos presos em terra
há histórias dos Lobos do Mar
e o calor da branquinha
p'ra as saudades matar.

24 de Outubro de 2008

A crise económica -Portugal Obama e a insanidade

Gosto de repetir que a vida política actual pouco me diz em termos dos meus interesses, preferindo a sua Histórica. Na verdade, a propaganda política diária, local ou nacional, seja a efectuada directamente pelos políticos, incluindo o Governo, seja por partidos, associações de interesses profissionais de produção de mercado... seja indirectamente através duma comunicação social mercantilista facciosa e etc... não me retira muito tempo.

Mas até o mais distraído dos seres consegue percepcionar que a Terra-política está de pernas para o ar há demasiado tempo. O Governo Português, e os seus nomeados-dependentes, ainda não assumiram, com seriedade, a crise financeira mundial! Chegaram a negá-la e depois que nos viesse a atingir... Negaram-na porque não a entendiam ou isso podia prejudicar a sua cotação nas sondagens ou porque não sabiam como enfrentá-la?.... Agora anunciam-se medidas ridículas como o 13º do Abono de Família e apela-se à poupança das famílias. Como se as famílias com o nível de salários em Portugal, o desemprego, os aumentos das prestações de empréstimos tivessem algum dinheiro para poupar!
Este apelo é aliás contraproducente para a economia e para a criação de empregos... Mais, como é que alguém tem vontade de se sacrificar ainda mais quando o que se antevê não é a resolução dos problema da pobreza, melhores cuidados de saúde... A mim parece-me que o receio generalizado é de que tudo pode vir a ficar ainda pior do que está. Se assim é, deve cada um de nós prescindir de uma ida ao cinema, ao futebol, um passeio à beira-mar ao domingo, um pastelinho de Bélem...
e amealhar os cinco "euritos"?
É que o povo português não gasta o dinheiro em automóveis de luxo, festas nas docas, iates.... Veja-se que há dias um estudo europeu afirmava que em Portugal nos últimos anos aumentara o fosso entre os pobres e os ricos, o que não acontecera na quase totalidade dos países!

Mas vem aí o Salvador do Planeta, Obama, o Desejado.
Ainda não compreendi verdadeiramente esta paixão que se alastra aos políticos portugueses pelo Candidato à Presidência da Casa Branca. Bem muitos dizem que é o homem mais poderoso do mundo... Eu não tenho tanta certeza, por detrás do Presidente dos EUA há sempre homens com interesses ainda mais poderosos.
Já ouvi dizer que é um marco de grande modernidade, o facto de ser eleito um negro!
Caramba como discriminação racial persiste! Ser negro branco amarelo ou assim a assim devia ser coisa que nem se notasse, ainda mais num país que se diz tão livre democrático, um país novo fruto da vida de tantas cores... E lembre-se que se disse que a H. não tinha possibilidade de ganhar porque era mulher e os americanos ainda não estavam preparados para ter uma mulher na Presidência, por mais activa Senadora que tenha sido, conhecimento dos meandros internacionais...
Por mim, não faço escolha, nem me compete.
Também não faço clac à distância porque não tenho fundamentos sérios pra o fazer. Esta propaganda dos políticos portugueses parece-me uma colagem antecipada ao vencedor, tirando daí para eles próprios uma imagem pública de vencedores. Por outro lado enquanto todos se distraem com a causa não é preciso encarar a crise nem pensar em soluções...
O jovem Rei D. Sebastião não regressou e nem será agora que o fará, apesar da imagem ainda jovem de Obama. Depois a perseguição do Islão além fronteiras e das derrotas, como o Soberano por lá ficou buscaram-se novas terras em novos mares e outras gentes para dominar... Agora estamos, mais uma vez pendentes do Desejado, só que com a cor da pele dos escravizados, talvez a seguir num corpo de mulher!... ´
Na velha Europa, algumas das mulheres já tomaram as rédeas e aguentaram-se em cima do touro.

13 de Outubro de 2008

Lavre: alunos e familiares em confraternização com o seu professor e esposa.


Alunos da 5ª e 6ª classe ( há mais de 30 anos ) na Escola de Lavre confraternizaram mais uma vez com o seu Professor na companhia de familiares. Evocou-se o passado, dançou-se, comeu-se... e programou-se o futuro: no próximo Outubro o encontro será em Vagos.

O organizador deste ano brindou-nos com um passeio cultural e um bolo lindo: tal qual a nossa escola!

29 de Setembro de 2008

A propósito do preço dos combustíveis




18 de Setembro de 2008

Estação de S. Bento e o país real

Não gosto de fazer coro pela nossa inferioridade ou superioridade enquanto povo ou país.
Somos o que somos, temos o tamanho que temos, somos únicos aos mesmo tempo que somos como os outros com defeitos e qualidades... Mas às vezes fico irritada quando penso que podíamos ser mais cultos mais activos mais tolerantes mais atentos...
Por mais de uma vez, dei comigo a dizer a outras pessoas que reparassem melhor na Estação de S. Bento, por a considerar muito bonita e lamentava ninguém se importasse com pequenas obras de restauro...
Não terá a grandeza das Estações de países maiores, mas para mim esta estação de caminho de ferro e a do Oriente, cada uma de sua época e estilo, são dignas de uma visita demorada que sorva cada linha cada traço... que estejamos nelas e não apenas que nos limitemos a usá-las em passagem.
Pois bem, os painés de azulejos ilustrativos de momentos da nossa história lá continuam dignos de visita, bem como a sua armadura férrea. Mas parece que a transformação está em curso, pode é não ser a que desejava.
Assim, fecharam-se duas das grndes portas que dão acesso às linhas, redusindo-se a entrada e saída dos passageiros à porta central onde se instalou a fiscalização para entrada e saída, só com título de transporte. A sala de espera foi encerrada. Não há bancos para sentar enquanto se espera. O quadro electrónico com indicação das linhas fica no átrio, e a indicação da linha surge muitas vezes apenas uns minutos antes da partida... Ou seja, quando a indicação da linha surge é uma correria para a metade da porta única, com os respectivos atropelos ralhos palavrões... As casas de banho são ofensivas e as filas para tirar bilhete longas...
O Utente é zero para a CP.
Bem não falaria neste assunto no blog se ultimamente não tivesse assistido já por duas vezes ao princípio de uma revolta popular em S. Bento!
É que este povo não se cale e reage quando sente que lá em Lisboa manda gente cega ou que nem se dá ao trabalho de ver como as coisas são de verdade.
O título de Invicta assenta bem nesta cidade!
Nestas coisas sinto-me uma mulher do Sul pelo modo de pensar a calma do agir...
Mas penso que até para a CP há cidadãos de 1ª (os de Lisboa e arredores) e cidadãos de 2ª.
E tal como eles não me agrada ser tratada diariamente como utente de 2ª.

21 de Agosto de 2008

Andrea Bocelli - a voz de Deus

Não me canso de o ouvir...

Um sonho, assitir a um concerto seu!

video

18 de Agosto de 2008

A Alma Gémea ( José Saramago e Pilar del Rio )

Parece que todos procuramos a nossa alma gémea. Mas como apenas temos um certo número de compatiblidades com aquele ou aquela por quem nos apaixonamos, depois somos infelizes cobrando dessa pessoa pelo facto de afinal não ser a nossa alma gémea... Ora, muitos autores, psicólogos, psiquiatras têm vindo a defender que isso da alma gémea é pura fantasia crendice ignorância...
Mas na memória colectiva persistem casos de almas gémeas, reais ou ficcionais, mas o certo é que não conseguimos desfazer-nos da força poderosa desse encantamento: Pedro e Inês, Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Camilo e Ana, Branca de Neve e o Príncipe etc............
Ora também segundo o astrólogo José Prudêncio entrevistado na Notícias SÁBADO "não há uma alma gémea, há milhões..."
Assim parece que fica mais fácil!
Mas não se iludam também ele fala de compatibilidades e não duma cópia total!
Registei com o interesse o facto de afirmar que nos seus 20 anos de pesquisa sobre a matéria, o caso que encontrou de maior compatibilidade foi o de José Saramago com Pilar del Rio!
Caramba, José Saramago é o português mais sortudo de todos os tempos: prémio Nobel, dinheiro, alma gémea e mais nova, longevidade, não vive em Portugal e da sobre o mesmo as bocas que lhe apetece e ninguém lhe leva a mal....
Em plenitude também eu escrevi sobre a alma gémea, assim:
Amas no outro o melhor de ti
e negas no espelho a pior parte
procuras incessantemente a alma gémea
como se de metade da laranja se tratasse
os pássaros sabem que são todos diferentes
e também acasalam várias vezes
os dois quentinhos no seu ninho de pastos
não sonham não temem nem se arrependem

são felizes os pássaros... tão inteligentes!

8 de Agosto de 2008

Segovia, património mundial - Belíssima!




















Parti já com vontade de voltar...

28 de Julho de 2008

Jardim Botânico do Porto - encontro com a mágica infância de Sophia




























Diz-se que já pouco resta da quinta onde Sophia cresceu.
Da quinta nos arrabaldes da Cidade do Porto resta um enclave de flora no meio da cidade nova, em vez do cântico dos pássaros o ruído dos carros, em vez da fronteira do mar a Ponte da Arrábida, em vez da mão esmerada dos jardineiros o continuado abandono, em vez dos vinte hectares os quatro que restam... O crecimento do espaço urbano faz-se em regra à custa de patrimónios irrecuperáveis.
Este terá sido um dos casos. Resta esta pequena amostra, sustentada sabe-se lá com que dificuldade... Na verdade há espaços abandonados e outros sem rega automática em que as plantas denotam sede. Ainda assim é imperdível. A entrada é gratuita, todos os dias das 10h às 19 horas.
As árvores tocam o céu. Quase que temos que colocar a cabeça nos pés para visualizarmos o crescimento dos troncos. As cameleiras abundam, formando grandiosas sedes. Os jardins de rosas e os lagos com nenufáres convidam aos sentimentos românticos... Etiquetas recordam-nos momentos literários de Sophia.
E se nos deixarmos embalar pela magia das árvores, acabamos por nos cruzar com ela em algum momento, ainda pequena, com vestidos de princesa, em alegres brincadeiras nos labirintos das sedes ou em diálogos eruditos com o rapaz de bronze...

21 de Julho de 2008

Falsos Blogs - mediocridade


A Blogosfera é um mundo maravilhoso de encontro de informação de crítica de criatividade... E também no nosso planeta é assim maravilhoso quando nos mobilizamos com esse mesmo espírito de encontro de informação de crítica de criatividade... Mas tal como na nossa vivência terrestre estamos sempre a confrontar-nos com a cobiça a inveja a injúria o plágio... também na blogosfera há mentes que se regem pela mediocridade. Assim em vez de trazerem algo de interessante e de renovador limitam-se a copiar palavras alheias a fazer comentários ofensivos e a criar falsos perfis e falsos blogues só para acederem ao direito de comentar. Quem anda pela blogosfera já se cruzou com estes seres e já visualizou muitos comentários apagados.

Mentes mesquinhas, primatas que se arrogam de humanos. Alguns da nossa roda de amigos e conhecidos vestem a pele de cordeiros, gritando aos quatro ventos pela arte ecos a poesia a liberdade o amor a verdade... Odeio a mediocridade!

8 de Julho de 2008

Verão... e o Alentejo continua lindo







22 de Junho de 2008

Lavre, a minha terra
















Antiga cidade de Lavar.
Quase totalmente destruída Lavre é hoje apenas Vila, coisa que não deve ao seu número de habitantes, que são cada vez menos, mas ao seu passado.
Tem como filho mais notável o Cavaleiro Tauromático Simão da Veiga, latifundiário mas também benemérito, que impulsionou e sustentou inicialmente a Banda Filarmónica hoje com o seu nome.
Notabilizada ainda por José Saramago que com base na sua história e das suas gentes escreveu o Levantado do Chão.
É a minha terra, nasci num monte na sua freguesia.





20 de Junho de 2008

Nascidos a 18 de Junho







Ele fez vinte anos e ela dezasseis.
Já uma vez disse que eles são os meus melhores poemas.
Bonitos saudáveis livres sociáveis bons alunos... Que mais poderia desejar?
Não são perfeitos, porque a perfeição não existe.
Quando fazem anos, por coincidência no mesmo dia, faço as contas e sinto-me velha, só por alguns instantes. No primeiro aniversário enchi a casa de hortenses azuis, pois no lugar onde vivíamos elas cresciam na beira das estradas. E foi sempre assim nos anos seguintes.
E agora temo-las no jardim...

9 de Junho de 2008

A Beleza perto de nós



Imagens de Vagos
Por vezes andamos de olhos abertos e não vemos a beleza perto de nós.
Outras a Natureza revelando-nos a sua intrínseca plenitude.

2 de Junho de 2008














































Terra Minada, Terra Armadilhada
Todos prestamos atenção e nos impressionamos quando vemos ouvimos ou lemos sobre a insegurança das minas deixadas nos campos de guerra e o seu deflagrar matando ou mutilando crianças e adultos. Várias figuras mediáticas têm denunciado estas situações. Todos nos recordamos de imagens da Princesa Diana em viagem a África com crianças negras mutiladas. E não notamos as armadilhas que estão perto de nós, à nossa volta.
Em criança convivi com dois poços um para abastecimento doméstico em que a água era tirada com uma roldana e o outro mais afastado de maior diâmetro e muro de protecção mais baixo (semelhante á maioria das fotografias aqui apresentadas) para rega da horta e lavagem das roupas. A água para beber e cozinhar era trazida todas as tardes duma fonte de uma propriedade próxima em cantaras de barro pela minha mãe, uma á cabeça e outra no quadril. Eu também tinha uma cantarinha mais pequena…
O primeiro poço era próximo de casa e recordo-me de tirar dele água com o balde que não podia encher porque senão o peso puxava-me para o seu interior. A minha mãe sempre me recomendou os cuidados a ter até porque (era eu bebé) na sua abertura um primo meu ainda criança na sua brincadeira inocente empurra o meu pai para dentro do mesmo que ainda jovem conseguiu agarra-se de modo a tempo de ser socorrido… Este poço tinha o “gargalo” alto e eu só em bicos de pés conseguia espreitar lá para dentro e ver as rãs ou o seu fundo seco no verão. À noite parecia que ouvia mesmo o cante da sua Moura Encantada e quando ficava seco sofria por pensar que ela devia estar em sofrimento pois nem cantar se ouvia…
Do poço mais largo eu tirava a água para o tanque na companhia da minha mãe com uma bomba manual de madeira. Neste poço inicialmente viviam rãs e peixes pois ficava sempre um lago de água que não se conseguia tirar. Com anos seguidos de seca até esse lago se evaporou…
Ainda criança a primeira vez que soube o que era o suicídio foi por um relato duma mãe que se suicidara e matara previamente os dois filhos num poço semelhante a estes. Na altura não sei se fiquei ou não com receio, mas pelo menos isso não me retirou o interesse que sempre tive por poços e fontes, penso eu mais que compreensível para quem nasceu numa terra sempre com falta de água como era o Alentejo de algumas décadas. A água é fonte de vida e a sua poupança e preservação são inadiáveis, o que em nada contende com a necessidade de prevenir acidentes.
Na minha vida profissional, nomeadamente nos onze anos à frente do Ministério Público em Vagos e Mira convivi com várias situações mortais de adultos e uma criança ocorridos em poços. Não referirei os nomes dos falecidos, a localização concreta do poço ou outro elemento pelo respeito nem utilizarei imagens dos mesmos devido à sua memória e à privacidade de suas famílias. Refiro apenas algumas dessas situações com o único objectivo de prevenir outras mortes.
Se repararmos quase todos os terrenos dentro e fora das localidades possuem um poço de diâmetro largo, a céu aberto, morado com blocos de cimento ou de tijolo, muitas vezes encoberto por ervas e arbustos e outras nas proximidades de escolas, estradas, ruas, espaços de brincadeira.
Muitos muros de protecção nem atingem o meio metro e talvez metade deles estão em ruínas.
Esta situação não é exclusiva de Vagos e Mira! Apenas me refiro a Vagos e Mira por ser a realidade que melhor conheço. Mas nos concelhos de Oliveira do Bairro, Oiã, Cantanhede… existem várias situações idênticas.
Existe um poço no concelho de Cantanhede com um diâmetro muito superior ao habitual e pode avistar-se da Estrada que liga Mira a Cantanhede, neste sentido.
Na zona de Estarreja, embora em menor número, as situações repetem-se.
Alguns destes poços ficam no caminho na rua para a escola! A curiosidade das crianças em espreitar para dentro do poço é natural.
Até porque nalguns deles há flores e noutros se ouvem coaxar as rãs.
Alguns já sem protecção são autênticas ratoeiras para quem anda no campo.
Não recomendo passeios pelos campos ou travessias por lugares que não se conhecem. Recordo-me dum jovem que decidiu de madrugada fazer o caminho para casa, entre dois lugares próximos não pela ligação de estrada mas mais a direito pelos campos. Encontrou a morte numa dessas armadilhas. Eu própria há dias foi a um campo dentro da Vila de Vagos tirar fotografias a umas papoilas e só dias depois me apercebi que junto a esse local por debaixo do silvado estava um poço.
A reconstrução dos muros que ruíram, a subida de alguns centímetros na altura do muro de protecção e a limpeza da área circundante são medidas urgentes e próprias do exercício responsável do direito de propriedade.
A subida na altura do muro de protecção evitaria ainda o péssimo hábito das pessoas que ainda cultivam os terrenos de se sentarem no bordo do poço para descansar ou para comer a merenda. Um agricultor fê-lo porque começou a sentir-se mal disposta e nessa situação cai lá para dentro. Outra sentou-se para descansar e um bocado do muro velho ruiu.
Mas há casos em que a reconstrução do muro de vedação não é suficiente.
Há poços na berma das ruas e estradas, dentro e fora das localidades em que qualquer acidente de viação ou uma simples despistagem mesmo de bicicleta pode provocar a queda no poço e a morte por afogamento. Aqui já aconteceu! Numa situação o corpo do condutor dum ciclomotor foi projectado caindo no poço. A autópsia médico-legal comprovou que a morte ocorrera por afogamento e não devido a qualquer traumatismo. E conheci situações em que (por sorte) o corpo ficou aquém alguns centímetros…
Nestas situações a cobertura é imprescindível.
Junto à estrada Nacional 333no entroncamento de estrada de terra batida à saída de Sósa, lado esquerdo no sentido Sósa-Palhaça, existe uma situação curiosa em que apenas metade do poço foi coberta.
A cobertura é a solução ideal. Pois só a cobertura em cimento ou rede resistente protegerá seguramente pessoas e animais. Mas só a rede resistente bem segura e de malha apertada protegerá seguramente pessoas e animais.
Tenho um gato chamado Sol. Se os gatos têm sete vidas, o Sol já gastou pelo menos uma… Foi salvo por um agricultor que ouviu um barulho esquisito dentro do poço e o conseguiu tirar da água quando já desesperado ainda mantinha as duas mãos agarradas ao tijolo da parede. Chegou com o pêlo totalmente colado ao corpo e foi tal o susto da caçada, da aventura amorosa ou do simples passeio (não fala!) que durante alguns dias não quis sair do sossego do lar. Se os poços tivessem cobertura também os gatos e cães estariam protegidos…
Não fique indiferente, pode verificar o que existe perto de si e conscencializar as pessoas para os perigos existentes. Vemos ouvimos e lemos, como afirmou Sophia, não podemos ignorar.
Este texto é um excerto de um trabalho mais elaborado que tenho vindo a realizar com o objectivo de ajudar a prevenir acidentes.

1 de Junho de 2008

Foros de Vale de Figueira



































Hoje os Foros de Vale de Figueira são freguesia, não o eram ainda quando eu e alguns dos meus amigos nascemos.
Nessa altura, tal com as Cortiçadas de Lavre, pertenciam ainda à freguesia de Lavre. E assim sou natural da freguesia de Lavre.
Mas afectivamente e estas coisas dos afectos valem muitíssimo para mim sou natural de Lavre e dos Foros de Vale de Figueira que felizmente não têm qualquer conflito entre si... A sua origem é recente e resultou de pequenos montes. O seu crescimento fez-se com habitações unifamiliares e térreas, muitas construídas com o dinheiro ganho na emigração. Não possui monumentos ou edíficios dignos de nota.
O seu cartão de visita é o campo belíssimo que envolve esta localidade.
Fiz a escola primária nos "Foros".
Foi aí que vi pela primeira vez televisão ( a ida à Lua, touradas, festival da canção... ) E o meu pai participou na construção da maioria das casas deste lugar...
Aí presentei em 1999 o meu livro " Conta-me Uma História " em circunstãncias particularmente dolorosas ( dias antes tinha tido um acidente ) mas com o apoio autêntico e que para sempre recordarei dos seus habitantes. Não menciono nomes para salvaguarda da sua privacidade.

22 de Maio de 2008

Os Cadernos Secretos do Prior do Crato


Tento não me irritar com a proliferação de livros banais, com a sua mediática divulgação e com o consequente disparar de vendas. Tento repetir para mim própria que vivemos numa sociedade pseudodemocrática cujas regras de funcionamento na edição de livros são as da liberdade e livre concorrência como em qualquer outro sector do mercado. Portanto, fabrica-se aquilo que mais se vende, vende-se aquilo que for de consumo imediato, melhor publicitado e que a moda da altura mandar.
Agora os interesses são os casos do futebol, a sua corrupção e a vida íntima dos seus protagonistas. A corrupção no futebol é tratada por muitos como algo normal, generalizado… Mas atendendo aos livros vendidos jornais revistas entrevistas e programas de televisão que já se dedicaram a este assunto parece que este é o verdadeiro problema nacional! Qual fome! Não existe, segundo o nosso Primeiro Ministro! Qual corrupção nas esferas financeiras e políticas! Nada…
Ser jornalista não é nada fácil quando o desemprego impera! Como investigar contra os amigos de quem nos garante o sustento?...
Há algo de surrealista nesta história da corrupção no futebol! E não é segredo que gosto de ver um bom jogo e até torço pelo FCP! Mas se há corrupção há que combatê-la, onde quer que exista, mas com as proporções da mesma… E digo mais: toda esta dimensão da publicidade tem reforçado e não diminuído o prestígio popular dos acusados…
Mas a vida privada dum cantor, duma prostituta, duma figura do jet set não vende menos.
As pessoas precisam de prencher os seus vazios pessoais, matar a sua fome de vida, com estas histórias de êxito e sensações… Livros a sério dão que pensar e pensar pode doer ainda mais e tornar a vida diária ainda mais penosa. As pessoas em geral precisam de momentos de evasão das suas próprias vidas, o que conseguem nomeadamente através destas histórias, da telenovela, das revistas de moda e de viagens dos jogos de futebol e das intermináveis discussões futebolistícas…
Sinceramente tentei calar-me, passar ao lado, esquecer quanto me é impossível publicar um livro de poesia, não me irritar… Mas ontem, quando vi que no Canal 1, a seguir ao jogo do Chelsea-Manchester, a entrevista da Judite de Sousa ao "Sargento" imediatamente após a publicação do seu Amo-te Filha “passei-me”!
Este caso jurídico igual a tantos outros dramas que correm nos Tribunais de Menores tem tido uma divulgação tão despropositada quanto a da corrupção futebolística. Agora um livro e mais esta publicidade acrescida… ( Acrescento que em minha opinião toda esta situação tem sido muito mal conduzida até pelo próprio Tribunal… )
Sinceramente penso que andamos a ser desviados do país real e propositadamente.

Acabei de ler ontem “ Os Cadernos Secretos do Prior do Crato” o mais recente livro de Urbano Tavares Rodrigues. Ia a escrever o último ( no sentido do mais recente) livro de Urbano e depois corrigi porque o último também podia ser lido como se não viesse a escrever mais nenhum…
Adorei este livro, com uma riqueza extraordinária de vocabulário e de tão acessível leitura. Apetece sorver uma página atrás da outra, tal o envolvimento que o escritor nos cria.
Tratando-se duma figura histórica, poderia pensar-se numa leitura pesada e enfastidiosa, pelo contrário parece-me que convivi com o Prior do Crato, na sua grandeza humana, no seu patriotismo, nos seus sonhos, lascivas, arrependimentos… Pessoalmente o que me impressionou neste livro foi identificar nele a vivência actual de Urbano, na contemplação do passado e na aproximação da morte. E dói sentir a angústia de quem se gosta.

De nada vale a publicidade que aqui faço no Blog a este Livro.
Talvez não se venda um único livro.
Urbano ou o Prior do Crato são desconhecidos para a RTP 1 e para as outras televisões jornais e revistas. A sua escrita não interessa… “ e se um homem se põe a pensar”

Campina

Campina

A Campina
terra plana plissada por máquinas
sulcando o verde
Mãe de Campinos Forcados Ajudas
Os touros pegam-se de frente!

Homens que se mostram valentes
na Praça desafiando a morte
para êxtase das gentes…
Não amam, medo guardam dentro
desde infantes

14 de Maio de 2008

Capela de Santo Aleixo - Montemor-o-Novo

Capela de Santo Aleixo
Páscoa
Jesus na Cruz

Poderosos taparam a entrada
Deus abriu a abóbada
e resgatou o filho

Peregrinos,
gente sem nome
uniram os corpos à porta
purificando-se

As Flores da Beira Litoral


Seria injusta se não "postasse" as flores do lugar onde vivo.
É que depois dumas papoilas miudinhas e alaranjadas eis que que também surgiram aqui e além lindas papoilas vermelhas.
Mas devo confessar que este ano as papoilas mais interessantes que vi não foram nem no Alentejo nem aqui na Beira Litoral, mas no Ribatejo a norte de Santarém. Invadiram as bermas da A1 e da linha férrea do norte como se já não coubessem nos campos. Lindas!

5 de Maio de 2008

As cores, a Sul




A Sul a terapia da cor.
Saciei os meus olhos de papoilas.

1 de Maio de 2008

As Rosas da Pedricosa - 1º de Maio







Com o passar dos anos o Dia 1º de Maio passou a ter mais significado para mim.
Inicialmente, quando era estudante, parecia-me uma comemoração excessivamente política com muitas conotações à esquerda, no tempo em que o mundo se dividia em direita e esquerda.
Hoje o mundo político já não se divide assim, felizmente. E, se neste dia não podemos esquecer as operárias que morreram chacinadas num incêndio quando reivindicavam as oito horas de trabalho, também não podemos ignorar que o mundo do trabalho hoje não é constituído apenas por operários e trabalhadores agrícolas. A maioria da população trabalha no sector terciário e as suas condições de trabalho ( assédio moral, stress constante... ) por vezes tão ou mais agressivas que as dos outros sectores.
Com o passar dos anos passei a identificar-me com este Dia, a considerá-lo meu também.
Além de ser mundialmente celebrado ( mas ainda não em todos os países ) destina-se a maioria da população mundial adulta de deveria ser motivo de festa mas também de consciencialização dos problemas actuais e dos desafios de hoje, nomeadamente o desemprego e a alteração das leis laborais. Que nenhum trabalhador pense que as Leis Laborais só interessam ao sector privado ou só atingem os trabalhadores mais desfavorecidos! O trabalho é uma forma de angariação de sustento mas é também uma forma de realização humana. O Bispo do Porto ainda recentemente salientou este facto, que continua a ser ignorado pela nossa classe política.
A remuneração correcta do trabalho prestado associada ao respeito pela dignidade da pessoa que o presta gera a auto-estima do trabalhador, aumenta o seu brio e a prestação produtiva, com ganhos evidentes para o empregador.
Da festa ficaram as Rosas da Pedricosa... por aqui não vi cravos e nos campos as papoilas ( pobrezitas! ) são enfezadas.

30 de Abril de 2008

Jamunas Band na Semana Cultural de Vagos







Hoje a Jamunas Band actuou para um grande auditório em Vagos.

27 de Abril de 2008

III Semana Cultural de Vagos







Ontem ouvi a Grândola Vila Morena pela primeira vez em Vagos. Numa bonita interpretação do Coral Polifónico de Santa Cecília.

Ontem igualmente me surpreendi pela renovação efectuada no Orfeão de Vagos pelo actual maestro.

Na exposição outra surpresa - os trages típicos do Alentejo.

A Semana Cultural tem vindo a ganhar a dedicação da população do concelho que a assume como coisa sua.

25 de Abril de 2008

Grândola Vila Morena

25 de Abril de 1974
Tinha 12 anos. Não esquecerei os sorrisos dos soldados fardados no camião quando passaram por nós na Ponte de Lavre o povo anónimo empunhando cravos vermelhos na televisão o dia de recreio na Escola... A primeira vez que ouvi A Grândola Vila Morena.
Existe magia nesta Revolução, feita de um modo quase artesanal por um grupo de militares foi tomada pelo povo de improviso e conduziu a tantas alterações aqui e em África...
Apesar dos meus 12 anos recordo-me de muitos dos momentos seguintes, alguns deles muito negros embora não me envolvendo directamente...
Também não os esqueço!
Ao purismo do 25 de Abril hei-de associar sempre a voz de Zeca Afonso e essa canção que fala dum Alentejo sentido.

13 de Abril de 2008

Mulheres de Trás-os-Montes - Junqueira da Vilariça








Por detrás de um grande Homem, diz-se, está sempre uma grande Mulher. Do que conheço das Mulheres de Trás-os-Montes prefiro dizer que elas estão sempre à frente dos Homens na busca da sobrevivência, sua e da família. Sob a capa duma sociedade patriarcal, nas comunidades rurais existem famílias onde é a Mãe que pela força do seu trabalho se impõe. Essas não descansam nunca, não param ao domingo, cozinham, tratam das roupas de toda a família, limpam e arrumam casas e pátios, cultivam hortas e quintais, criam galinhas coelhos... As de meia idade têm empregos e as que não têm trabalham nas suas terras tantas horas como os homens. As mais novas, ainda com pouco acesso ao ensino superior, procuram no serviço militar e na polícia um ganha pão e o passe para a vida urbana.
São rijas como o granito, invencíveis. A minha homenagem a essas Mulheres.

8 de Abril de 2008

Suicídio

Há poucos dias sorri de felicidade pela alegria de uma amiga. Ficamos felizes com a alegria daqueles que gostamos e tristes com a tristeza deles. Por mais que me tente ver como um ser autónomo, não sou nada imune ao que me rodeia... Nem quero ser! Amar-me faz sentido, proteger-me também, mas mergulhar plenamente no eu sem o conjugar Não...
Por isso, o suicídio dos outros além de me doer incomoda-me.
Não consigo ficar calada, aceitar em silêncio como na minha terra se faz... Já morreram demasiadas pessoas que conheci, colegas da escola ( Tantos!), jovens e adultos, familiares... São conhecidas as estatísticas em países como a Suécia, no Alentejo no Mundo. Não tenho resposta! Mas hoje senti vontade de soltar as palavras que escrevi há ano e meio, quando mais uma vez o suicído me tocou de perto.
Não é literatura. Foram as palavras que quiseram sair, outras ficaram dentro entaladas para me lembrarem para sempre.
O corpo enrola-se, caracol minhoca aflita feto nado morto bago de uva murcho… frouxo, nada nada só o medo.
O coração bate bate desordenado, bate bate não ama, cansado de tanto querer ser amado - relógio da vida avariado.

Não há corda junco junca, as traves de choupo dos telhados agora são tapadas de prevenção e ninguém ensina o nó de enforcado nem se devolve à família o usado, leva-o o autor para que sua vontade ateste… Os poços dos montes secaram os da Câmara sendo de todos têm a entrada fechada
Não há escolha, só a espingarda carregada.
Não há beijo ombro abraço regaço, não há ventre útero casa… - não há cuco cante voo asa.
À caixa, em madeira de cerejeira talhada, o bicho pouco a pouco minava, uns furos a mais não surpreendem nada…
Nem farol cruz mezinha responso… nada trará o seu vazio de volta.

2 de Abril de 2008

Saudades do Tarik


Tarik


Morreste-me! como disse o Poeta
sou dona da tua morte, só minha

Esperavas-me ao entardecer…
eu surgia iluminando a noite
o teu sorriso beijava o meu

Adormece Amigo, no meu regaço
Hei-de enganar o universo
decidir a tua morte antes da dor

Leva-me em sonho
depois não há coisa nenhuma
A alma, se tivesses, seria Minha

30 de Março de 2008

O Gato


Chega a ser um estereótipo, o Escritor entre os livros a arte revolucionária da época e o inseparável companheiro, o gato.

Há-de haver explicação para tão repetida harmonia. Por que não um cão?!... Um papagaio?!...
Não, é precioso o silêncio e o cão roubar-lhe-ia tempo.
Já o felino, a liberdade lhe lembra quando desiludido se deixa morrer por dentro...
(foto do Sol )

29 de Março de 2008

Aldeia de S. Gregório - Turismo de Aldeia





























Há lugares a que apetece fazer publicidade. Esta aldeia recuperada para Turismo de Aldeia é um deles. A Aldeia de São Gregório demonstra que o ditado pupolar " De Espanha nem bom vento nem bom casamento" está ultrapassado. Eu sou admiradora, aliás, da maior vivacidade e alegria, do povo espanhol... E também nada tenho contra o facto de eles virem plantar olivais e vinha no Alentejo ( desde que para tal não se sacrifiquem os montados! ).
Se os portugueses não aproveitam os novos mercados agrícolas haja quem o faça, sejam espanhóis, holandeses, italianos... Que a terra não fique a monte se pode dar fruto, alimentar gado... Nada me dói mais que um Alentejo de Coutadas, campos de Golfe e barcos de recreio... E quanto ao Golfe e aos barcos de recreio até defendo a sua existência, mas pontual!
Pois é de iniciativa espanhola a recuperação desta aldeia, que fica a 5 Km de Borba, junto a Rio de Moinhos, e que se encontrava desabitada e degradada. O bom gosto e o cuidado na recuperação são exemplares. Gostei muito!

25 de Março de 2008

Sinais Alentejanos


Não conhecia estes curiosos sinais.
Não, não direi onde ficam, porque pode passar por aqui algum predador...

24 de Março de 2008

Alentejo Sem Fim - Páscoa da Minha Redenção

Neste ano em que a Páscoa chegou com o início da Primavera e o Dia da Poesia coincidiu com a Sexta-feira Santa recordo um poema do meu primeiro livro, Alentejo Sem Fim - 1999

Páscoa da minha redenção
Lilás é a cor da natureza
Potes de amarelo
despejado em giestas...

Verde é a cor do nascimento
Prados!...
Sobreiros negros
a ensombrar a festa!

Tapetes vermelhos!
rosas a forrar oo chão!

Tardes doiradas
em Azul Celeste...

Aleluia! Aleluia!
Deus na Terra
em acto de criação!

12 de Março de 2008

O dinheiro ainda não paga nem compra tudo

Há dias em que mais valia não acordarmos... O Sol não raia, a meia-de-leite escalda-nos a língua, o salto das botas fica preso na calçada, as meias rasgam-se...
Finalmente à secretária! Agora todos reclamam da vida, da sorte... já não do patrão mas do Estado que prefere pagar subsídios de desemprego a investigar e sancionar os empresários que fecham uma empresa e abre outra na porta ao lado... Por pagar ficou a Segurança Social, o IRC, as indemnizações aos trabalhadores e os salários... valores que embolsaram. Os trabalhadores já nem pedem Justiça... Vêm para conseguir o desemprego, o Fundo Salarial e reclamam da injustiça gerada para aqueles Patrões que são sérios! Parece que hoje a dicotomia já não é entre Trabalhadores/Patronato mas entre a honestidade e a fraude...
Depois dum dia em que o Sol não raia e o cansaço nos quebra já nada se espera de bom, eis que aparece ainda mais alguém para se queixar, quando as portas já se deviam estar fechadas. Levou quase um ano entre o despedimento e a queixa a remoer a remoer...
Não importam ao caso os pormenores, a idade, a instrução, os motivos... Depois da história contada expliquei-lhe o que poderia requerer ao Tribunal de Trabalho e aquilo que nenhum Tribunal poderia apreciar por ser de natureza ética, moral...
Há muito que preciso duma caixa de lenços de papel na secretária, há muito que sei que os homens também choram e que por vezes é mais fácil desabafar com uma pessoa estranha do que com a pessoa com quem se vive, há muito que sei que por vezes só estou do outro lado da secretária para ver chorar... E não é para isso que o Estado me paga.
Isso o Estado não me paga, porque isso custa muito mais que lidar com papéis formar processos, interpor recursos!... Isso eu dou de mim e muitas pessoas dão de si noutras profissões.
- Gostei muito de estar aqui, foi o que disse quando saiu.
Senti-me em dívida, afinal eu só lhe dera um pouco do meu tempo desenxabido...
Afinal, mesmo no Inverno ao fim da tarde, o Sol pode raiar inesperadamente...

7 de Março de 2008

DIA INTERNACIONAL DA MULHER - 8 de Março


Sou Mulher.

Para mim faz sentido comemorar este dia. Por mim, pelo meu passado de Menina a quem foram sonegados direitos nas brincadeiras, no direito a estudar ( tive que lutar por ele ) por ser do sexo feminino. Pela minha mãe e pelas avós, com maior evidência descriminadas, mas e sobretudo pelas Meninas e Mulheres de hoje em Portugal e no resto do Mundo.


Enquanto vierem ao Mundo crianças como os gémeos ( deformados e amputados... ) que nasceram na Bolívia há que lutar pelo direito a informação e assistência médica adequada a saúde da mãe e do feto na gravidez, o que inclui a prevenção e o diagnóstico das referidas anomalias...


Quando nos EUA os analistas afirmam que os eleitores ainda não estão preparados para votar numa Mulher para a Presidência, o que se pode esperar dos direitos cívicos e políticos das mulheres em países como a China, o Senegal, a Coreia?!...


Enquanto existirem as taxas de abusos sexuais que têm sido noticiadas, 95% em pessoas do sexo feminino, a igualdade é uma miragem...


Nem falo na desigualdade no trabalho, na falta de repartição das tarefas domésticas ou de cuidados aos filhos... na mutilação dos órgãos sexuais em algumas comunidades...


A igualdade da Mulher passa pelo respeito generalizado pelo ser humano, nomeadamente pelo maior conhecimento do Homem sobre si mesmo, sobre as razões das suas inseguranças e dos seus medos... e maior coragem da Mulher para assumir a sua verdadeira natureza... Processo muito demorado, que levará gerações e gerações para ser construído.

Sou um pouco pessimista nesta área, e julgo que chegar-se-á mais facilmente a um Matriarcado do que a uma situação de Igualdade... Mas não estarei cá para o confirmar!

3 de Março de 2008

O Renascer de Maria



Este é a minha terceira incursão pela blogsfera.
Mantive o nome do anterior blog, mas os propósitos são diferentes.
Apeteceu-me começar do zero, deixar o passado no passado, e começar de novo, renascer, como a cobra que abandona a sua pele e por isso apaguei para sempre os blogs anteriores.
Não porque o passado esqueça, não, mas porque agora é outro tempo com direito a ser vivido em toda a sua plenitude.
Não vou salvar o mundo, mas não me limitarei a conformar-me com ele.
Sei que tenho uma missão a cumprir: a de ser Eu!
Ser eu: não há mais ninguém igual a mim!

Vêde bem, isso não é maravilhoso?! Somos ÚNICOS!
Não me limito a ser o produto das influências genéticas, geográficas, culturais... do lugar e do momento em que nasci, e de como fui criada... eu construo-me cada dia, caindo e levantando-me, chorando e rindo!
Tal como Florbela, sempre senti não ser a Poetisa eleita... mas a poesia é a parte mais bonita de mim, faz parte do meu Ser. Não necessito de ser a Eleita! Só preciso de ser eu...